Carta do Presidente


O meu envolvimento com a SBNC começou em 2008, quando eu ainda nem imaginava ter uma atuação na Diretoria. Durante as reuniões em que o Paulo participava, como 1o Tesoureiro e depois como Tesoureiro Geral, eu esperava estudando, e posteriormente ajudava na organização da sede nova. Época incerta, em que a preocupação em tornar a SBNC útil para os sócios e a necessidade de crescimento foi assunto de muitas reuniões.
Nas gestões de 2011 a 2013, e de 2013 a 2015, em que fui Secretária Geral, tivemos muitos desafios. A criação do Selo de Especialista, a consolidação da assinatura do Clinical Neurophysiology como nossa revista oficial, a assinatura do Journal of Clinical Neurophysiology, a conquista do acordo de cooperacão entre a ACNS e a SBNC, a exposição crescente da SBNC à IFCN nos Congressos Mundiais, a representação da SBNC na AMB, o aprimoramento da prova e a reativação do Curso Intensivo de Neurofisiologia Clínica foram as principais tarefas que conseguimos completar. Mesmo deixando a Diretoria, nesses últimos dois anos trabalhei como Diretora de Defesa Profissional, e realizei com a FIPE uma revisão importante do custo dos nossos procedimentos. Primeiro passo para rever a nossa remuneração. É um trabalho voluntário, que acontece nos bastidores, durante a noite, nos finais de semana, e que muitas vezes demanda a abdicação de nossa atividade remunerada, mas que é necessário para conquistarmos nossos objetivos na SBNC.
Então algumas vezes me pergunto: O que me move para manter esse crescente compromisso com a SBNC? Normalmente essa dúvida acontece quando as dificuldades parecem se agigantar, enquanto as minhas forças parecem se encolher. Felizmente esses momentos são breves, e logo a coragem me toma de novo, a vontade de fazer cresce mais do que qualquer sentimento contrário. Há quem diga que isso é otimismo, e há quem diga que é a minha personalidade, o meu jeito. Fato é que para alcançar um bem comum eu penso que temos que olhar para frente, para além do que a nossa vista alcança, e ignorar a todos que tentam nos parar, ou mesmo nos puxar para trás.
Quero inspirar essa paixão pela SBNC nos nossos jovens, sonhadores, concretizadores. Porque uma fraternidade une, conforta, apóia, defende. Juntos podemos muito mais do que sozinhos. Vivemos uma época em nosso país em que frequentemente nos sentimos sem apoio, com regras questionáveis e volúveis, com desmandos de autoridades que sentimos não ter o objetivo de nos proteger, de nos incentivar a crescer e fazer um bom trabalho. Por isso precisamos nos unir, porque ninguém defenderá nossos interesses melhor do que nós mesmos. E nessa situação, a última coisa que devemos fazer é brigarmos entre nós, o que nos enfraquece sobremaneira. Deixemos as vaidades de lado e sejamos altruístas.

    Um grande abraço,

    Ana Lucila Moreira.